{"id":160,"date":"2020-08-04T09:25:40","date_gmt":"2020-08-04T12:25:40","guid":{"rendered":"http:\/\/sinprocan.org.br\/?p=160"},"modified":"2020-08-07T08:14:35","modified_gmt":"2020-08-07T11:14:35","slug":"estar-conectado-o-tempo-todo-sera-tao-absurdo-quanto-fumar-num-aviao-por-alex-vicente-el-pais-publicada-em-03-08-2020-as-16h47","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sinprocan.org.br\/?p=160","title":{"rendered":"\u2019Estar conectado o tempo todo ser\u00e1 t\u00e3o absurdo quanto fumar num avi\u00e3o\u2019 por \u00c1lex Vicente | El Pa\u00eds |"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"660\" height=\"440\" src=\"http:\/\/sinprocan.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/seguinte-69809-noticias78706.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-161\" srcset=\"https:\/\/sinprocan.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/seguinte-69809-noticias78706.jpg 660w, https:\/\/sinprocan.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/seguinte-69809-noticias78706-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 660px) 100vw, 660px\" \/><figcaption>O ensa\u00edsta e presidente da Arte France, Bruno Patino<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Em seu novo livro, &#8220;A Civiliza\u00e7\u00e3o do Peixe-Vermelho&#8221;,&nbsp;o ensa\u00edsta&nbsp;Bruno Patino retoma o tema da transi\u00e7\u00e3o digital alertando para os riscos de viver com uma capacidade de aten\u00e7\u00e3o cada vez mais reduzida. O&nbsp;<\/em><strong>Seguinte:<\/strong><em>&nbsp;reproduz o artigo publicado pelo El Pa\u00eds<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nove segundos: a isso ficou reduzida nossa capacidade de aten\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que sugere a tese desenvolvida por Bruno Patino (Courbevoie, Fran\u00e7a, 55 anos) em seu novo ensaio,&nbsp;<em>La Civilisation du Poisson Rouge<\/em>&nbsp;(\u201ca civiliza\u00e7\u00e3o do peixe-vermelho\u201d, in\u00e9dito no Brasil), em que adverte para os perigos desse&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/12\/05\/ciencia\/1417796395_262217.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">alarmante d\u00e9ficit de concentra\u00e7\u00e3o<\/a>, praga da sociedade moderna&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/smoda\/2020-07-14\/nao-abrir-o-twitter-e-outros-conselhos-de-margaret-atwood-para-nao-procrastinar-quando-se-trabalha-em-casa.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">provocada pelos gigantes da Internet<\/a>&nbsp;com sua perp\u00e9tua difus\u00e3o de links, imagens, likes, retu\u00edtes e outros est\u00edmulos para nosso sistema nervoso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 O modelo de neg\u00f3cio das plataformas se baseia na publicidade, e sua efic\u00e1cia depende do tempo que o usu\u00e1rio passe nelas. As redes se tornaram predadoras do nosso tempo \u2013 afirma Patino em uma entrevista por telefone.<\/p>\n\n\n\n<p>Os peixes vermelhos a que o t\u00edtulo alude t\u00eam uma mem\u00f3ria limitada a oito segundos. Os nativos digitais, segundo Patino, j\u00e1 ganham por apenas um segundo: a partir do d\u00e9cimo, seu c\u00e9rebro se desconecta e come\u00e7a a procurar \u201cum novo sinal, um novo alerta, outra recomenda\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Patino, filho de pai boliviano e m\u00e3e francesa, cresceu num lar bil\u00edngue onde n\u00e3o havia televis\u00e3o. Isso n\u00e3o impediu que esse reconhecido gestor, que em junho foi nomeado presidente do canal de TV franco-alem\u00e3o Arte, tenha um dos curr\u00edculos mais destacados na paisagem midi\u00e1tica do seu pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Diretor editorial do Arte desde 2015, Patino se encarregou da transi\u00e7\u00e3o digital do&nbsp;<em>Le Monde<\/em>&nbsp;na d\u00e9cada passada, antes de dirigir a r\u00e1dio France Culture e de ser nomeado chefe de programa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento digital dos canais da televis\u00e3o p\u00fablica francesa. Tendo vivido de perto os efeitos dessa transforma\u00e7\u00e3o, Patino examina as consequ\u00eancias de uma perda de aten\u00e7\u00e3o que, em escala individual, considera \u201cpatol\u00f3gica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Milh\u00f5es de pessoas, entre as quais me incluo, j\u00e1 s\u00e3o incapazes de se desconectarem, de deixar de lado a tela 24 horas. N\u00f3s nos tornamos dependentes e&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/23\/actualidad\/1553363424_494890.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">inclusive viciados<\/a>&nbsp;\u2013 afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um n\u00edvel coletivo, lhe parece ainda pior: provocou \u201cuma polariza\u00e7\u00e3o do debate social e um espa\u00e7o p\u00fablico totalmente dominado pelas emo\u00e7\u00f5es\u201d. Longe ficou aquela rede igualit\u00e1ria a que muitos aspiraram nos anos noventa, aquela \u201canarquia positiva\u201d em que o pr\u00f3prio Patino acreditou com convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Chegou o tempo das lamenta\u00e7\u00f5es \u2013 admite no come\u00e7o do livro.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando aquela&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/verne\/2020-06-18\/assedio-insultos-trols-e-possivel-consertar-o-twitter.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">utopia digital come\u00e7ou a dar errado<\/a>?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 No momento em que a economia se convidou para a festa. Simples assim\u2026 \u2013 responde o autor, que cita o surrado ad\u00e1gio de Bill Clinton \u2015\u201c\u00c9 a economia, est\u00fapido\u201d\u2015 na ep\u00edgrafe do seu ensaio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Somos correspons\u00e1veis pelo que est\u00e1 nos acontecendo, porque nos colocamos voluntariamente neste aqu\u00e1rio. Mas a responsabilidade do Facebook e dos outros gigantes \u00e9 ainda maior, por utilizar ferramentas que manipulam nossas emo\u00e7\u00f5es \u2013 pontua Patino.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, o ensa\u00edsta considera que h\u00e1 margem para esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 A resist\u00eancia continua sendo poss\u00edvel, embora j\u00e1 n\u00e3o baste a autorregula\u00e7\u00e3o e a autodisciplina. \u00c9 preciso criar momentos e lugares livres de conex\u00e3o \u2013 adverte o autor, propondo \u201cuma mobiliza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica\u201d que termine originando uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 No futuro, deixar\u00e1 de ser aceito consultar o celular numa reuni\u00e3o profissional, em uma refei\u00e7\u00e3o familiar ou no cinema. Estar conectado o tempo todo nos parecer\u00e1 t\u00e3o absurdo quanto fumar num avi\u00e3o \u2013 prognostica Patino.<\/p>\n\n\n\n<p>O autor observa que toda inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica sempre \u00e9 sucedida por uma regula\u00e7\u00e3o mais ou menos rigorosa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Depois da inven\u00e7\u00e3o da imprensa, levou-se entre 50 e 60 anos at\u00e9 surgir a no\u00e7\u00e3o de responsabilidade editorial e deixarem de serem publicados panfletos difamat\u00f3rios, um precedente das atuais&nbsp;<em>fake news<\/em>. Regular a r\u00e1dio levou 25 anos, e a televis\u00e3o, 15 \u2013 recorda.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da Internet, prognostica que o problema ser\u00e1 resolvido \u201cem uns dez anos, cinco para tomar consci\u00eancia do problema, e outros cinco para agir\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Patino assume a lideran\u00e7a do Arte em plena fase de expans\u00e3o. Entre 2011 e 2019, a audi\u00eancia do canal, at\u00e9 recentemente visto como elitista e ultraminorit\u00e1ria, passou de 1,5 para 2,6 milh\u00f5es de espectadores. H\u00e1 noites em que beira ou supera 10% de share gra\u00e7as a uma combina\u00e7\u00e3o de document\u00e1rios de produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, estreias cinematogr\u00e1ficas e s\u00e9ries de qualidade, como&nbsp;<em>Borgen<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>Top of The Lake<\/em>, que representam uma alternativa ao modelo imposto pela Netflix.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2021, o Arte lan\u00e7ar\u00e1 a estreia televisiva do dueto formado por \u00c9ric Toledano e Olivier Nakache (<em>Intoc\u00e1vel<\/em>), que leva a s\u00e9rie&nbsp;<em>Sess\u00e3o de Terapia<\/em>&nbsp;para o contexto das sequelas psicol\u00f3gicas pelos&nbsp;<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/11\/14\/internacional\/1447465362_356689.html\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">atentados terroristas de 2015 em Paris<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 H\u00e1 uma demanda latente por qualidade acess\u00edvel, por meios de comunica\u00e7\u00e3o que apostem na intelig\u00eancia do espectador sem renunciar a alcan\u00e7ar um p\u00fablico maci\u00e7o \u2013 opina Patino.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra chave ser\u00e1 a expans\u00e3o digital, que no caso do Arte \u00e9 consider\u00e1vel. Entre 2018 e 2019, o tr\u00e1fego no seu site, onde muitos conte\u00fados podem ser vistos uma semana antes de entrarem na grade, e at\u00e9 v\u00e1rias semanas depois, aumentou mais de 70%, especialmente entre os usu\u00e1rios de 15 a 34 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 O posicionamento editorial tem que continuar sendo o mesmo, mas deve se tornar cada vez mais europeu quanto \u00e0 identidade e distribui\u00e7\u00e3o \u2013 disse o novo presidente de um canal que, al\u00e9m de transmitir em franc\u00eas e alem\u00e3o, j\u00e1 prop\u00f5e uma pequena parte de sua programa\u00e7\u00e3o on-line em ingl\u00eas, italiano, polon\u00eas e espanhol.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de Patino \u00e9 que seja cada vez menos minorit\u00e1ria.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/televisao\/2020-07-19\/bruno-patino-estar-conectado-o-tempo-todo-sera-tao-absurdo-quanto-fumar-num-aviao.html#:~:text=Estar%20conectado%20o%20tempo%20todo%20nos%20parecer%C3%A1%20t%C3%A3o%20absurdo,num%20avi%C3%A3o%E2%80%9D%2C%20prognostica%20Patino.&amp;text=%E2%80%9CH%C3%A1%20uma%20demanda%20latente%20por,p%C3%BAblico%20maci%C3%A7o%E2%80%9D%2C%20opina%20Patino.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">El Pa\u00eds &#8211; Publicada em 03\/08\/2020 \u00e0s 16h47<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em seu novo livro, &#8220;A Civiliza\u00e7\u00e3o do Peixe-Vermelho&#8221;,&nbsp;o ensa\u00edsta&nbsp;Bruno Patino retoma o tema da transi\u00e7\u00e3o digital alertando para os riscos de viver com uma capacidade de aten\u00e7\u00e3o cada vez mais reduzida. 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