Com cada vez mais frequência, chegam relatos de profissionais que foram desrespeitados, coagidos e até mesmo assediados no exercício de suas funções. E essa situação vem se tornando uma realidade preocupante, especialmente nas escolas de Educação Infantil da rede Municipal de Canoas.

O professor que trabalha com crianças pequenas exerce uma função que vai muito além do ensinar. É ele quem acolhe, cuida, orienta, acalma, educa e atende diariamente às necessidades de crianças que estão sob sua responsabilidade. É o professor que precisa lidar com diferentes realidades, comportamentos e demandas, sempre buscando garantir o bem-estar e a segurança dos pequenos.

Mas, infelizmente, o respeito que deveria existir nessa relação nem sempre acontece.

Temos presenciado situações em que famílias ultrapassam os limites da relação entre comunidade escolar e profissionais da educação. A escola, que deveria ser um espaço de construção coletiva e de reforço dos valores e da educação recebidos em casa, acaba servindo de cenário para situações de desrespeito com os profissionais.

E quando uma situação não atende à vontade de determinados responsáveis, o professor acaba sendo colocado como o problema. Em determinados casos, agentes de segurança pública chegam a ser acionados contra profissionais que simplesmente estão cumprindo suas atribuições.

Mais preocupante ainda é perceber que, em determinadas situações, quem deveria acolher, orientar e proteger o trabalhador acaba priorizando a reclamação da família sem averiguar os fatos, deixando o educador desamparado. O profissional que se sente coagido, constrangido ou agredido acaba tendo seus direitos desconsiderados e, muitas vezes, ainda ouve que deveria buscar mais capacitação para “bem acolher” essas famílias.

Não podemos responsabilizar individualmente o trabalhador por problemas que são estruturais. A falta de profissionais na rede municipal, a sobrecarga de trabalho e as condições inadequadas para o atendimento da comunidade escolar também contribuem diretamente para o agravamento dessas situações.

E que fique claro que não estamos falando de um caso isolado. Os relatos têm se tornado recorrentes nas escolas municipais de Educação Infantil de Canoas e vêm se agravando ao longo do ano letivo. São situações que atingem profissionais que já enfrentam uma rotina de trabalho exaustiva e que, inclusive, estiveram no centro das reivindicações apresentadas durante a legítima greve da categoria, que entre suas pautas cobrava justamente recursos humanos suficientes para garantir um atendimento adequado à comunidade escolar.

A categoria está cansada. Está desgastada. Está desamparada. E, acima de tudo, está desvalorizada. Porque antes de cobrar que o professor acolha todos, é preciso que alguém também acolha o professor.

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